Desconstruindo Kelmer

Por: Wanessa, 2009

Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação

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Eu adoro o Vocês Terráqueas. E eu, grande releitora que sou, claro que escarafunchei o livro todo, li de cabo a rabo incontáveis vezes. Principalmente depois daquela conversa que nós tivemos, em que tu me contou um segredinho que se esconde em alguns textos. Depois disso, a tua obra virou um mistério ainda maior pra mim. Comecei a ler teus textos com mais atenção, agora entendo melhor algumas coisas e desconheço completamente outras.

Um conto em especial me instigou desde a primeira leitura: Cristal. A ordem dos acontecimentos é compreensível, tem começo, meio e fim, mas não dá pra terminar a leitura sem a sensação de que tem algo muito maior que eu não consegui captar. Eu, meio Sherlock Holmes das palavras, fico tentando decifrar os enigmas, seguir possíveis pistas, mas é tudo em vão. Não dá.

Totalmente metida e curiosa, eu me debrucei sobre o conto e fiz minha própria interpretação. Bem, a presença da Mestra, a vida, a Deusa, o Tao, o fluxo irrevogável de tudo, não me espanta que seja uma figura feminina. Um presente de aniversário, a viagem sem escolha. Depois o corredor cheio de portas e ela aparece, a Simone. Provavelmente um amor da adolescência. Eu vejo um Ricardo cheio de ideias, querendo tudo ao mesmo tempo. Tempo que, até então era inesgotável e por isso permitia um monte de erros que levam a um rompimento doloroso, que deixa uma dor que invade, dor física, forte.

Encontro com a Renata. A bailarina que faz piruetas num nicho, algum lugar perdido, intocável. Os movimentos leves; contemplamos a beleza porque é finita. Melhor não me demorar por aqui, não há tempo, só pra recuperar o fôlego, o assombro diante das surpresas da vida.

A Bel traz o encontro com a princesa, o primeiro. Joga suas tranças da torre; beleza e loucura juntas provocam vertigem? A morte do primeiro Ricardo, daquele que por vezes era desconhecido de si próprio, te deixa profundamente grato, a mim também. Vânia, Valesca, Vanessa, Valéria, são tantas as possibilidades dessa musicista sensual, sensual como doce desmanchando na boca. O inalcançável, mesmo que a distância entre os corpos seja curta. É preciso achar-se a si, antes do outro. Talvez a fuga seja o melhor caminho quando o vaso ainda está vazio.

Minhas dúvidas se multiplicam em relação aos nomes, Fabiana, Fabíola, Fátima… o nome tanto faz, as fantasias são múltiplas, volúveis, diáfanas. Encantam e entontecem. É preciso um fio que te conduza a realidade, uma mão talvez. E ela sabe fazer isso, no meio do redemoinho de possibilidades e sonhos, é bom se saber compreendido por alguém, uma certeza tranquilizadora de não ser tão estranho, hermético. Gisele, como a espiã nua em Paris, a tua cara isso. E mais uma vez a tontura, mas essa é diferente e conheço: a euforia da excitação e o gozo (ai, que saudade da tua carinha gozando…), a sensação de ir cada vez mais fundo, mais longe. Transpiração e transcendência lado a lado.

O inferno te espera e traz também o sabor indigesto. A inquietação, o ápice do sofrimento e desespero. A alma conturbada se rende a mais uma morte. Passou pelo seu Karma, Karine. As palavras não bastam para agradecer por uma nova vida. E no fim, sete encontros, sete vidas que hoje formam um só cristal, o mais belo, o ser mais incrível que ja conheci na vida, tu. Talvez eu tenha acertado um pouco, talvez tenha passado longe, mas uma coisa eu aprendi com esse conto, às vezes racionalizar sobre o que está diante dos olhos, só torna tudo mais complicado, a compreensão pode ser simples, não precisa muito. Apenas sentir.
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Ricardo Kelmer 2009 – blogdokelmer.com

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