Uma bandeira diferente

01jul2008

As pessoas saudavam o nascimento do novo símbolo que emergia do fundo da alma de todos falando de paz e unicidade, de um mundo unido e sem divisões

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UMA BANDEIRA DIFERENTE

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Como a tevê lá de casa agora capta imagens de planetas distantes, eu acabo minha lição da escola e ligo para ver as Olimpíadas da Terra. É tão emocionante! Já disse a meus pais que quando eu crescer, quero ser pesquisadora. Do planeta Terra.

Meu interesse começou durante a excursão que fizemos pela Via Láctea. Num dos sistemas solares conhecemos a Terra, um planetinha azul. Achei lindo, cheio de nuvens branquinhas, oceanos, rios e montanhas. A professora explicou que era um planeta novo, com vida abundante e milhões de espécies. Aprendi que sua espécie dominante, o Homo sapiens, está no estágio inicial da tecnologia digital e ainda não descobriu como vencer as longas distâncias nas viagens pelo cosmos. Vimos no telão cenas de sua história, momentos marcantes, guerras, descobertas. Vimos o cogumelo atômico. Vimos os humanos pisando na Lua. No fim, para nossa decepção, a professora explicou que o planetinha está morrendo, uma morte prematura causada pelo próprio Homo sapiens, que não sabe cuidar do lugar onde vive.

Fiquei chocada. Foi a primeira vez que vi um planeta morrendo, e isso me fez chorar. A professora me acalmou e disse que isso ocorre quando a espécie dominante não respeita as leis da vida. Perguntei se não podíamos salvá-lo e ela explicou que a Confederação Galática não aprova interferências em planetas não confederados. Mas já que eu havia gostado tanto do planetinha azul, ela disse que eu poderia ser uma pesquisadora e, quem sabe, um dia poderia ajudá-lo. Isso me alegrou.

Vejo que os terráqueos são orgulhosos de suas Olimpíadas. É mesmo uma linda festa, os países representados, o colorido das bandeiras, todos reunidos pelo ideal olímpico. Faz-me lembrar da história do meu planeta… Antigamente meu povo não se considerava uma só raça e por isso nos dividíamos em nações, guerreando por riquezas e religião. Tínhamos medo de quem era diferente e por isso nos matávamos uns aos outros. É uma parte muito vergonhosa de nossa história.

Então um dia, durante as Olimpíadas do meu planeta, algo incrível aconteceu. Uma atleta campeã subiu ao pódio, recebeu a medalha de ouro e ergueu sua bandeira. Mas não era a de seu país. Era uma bandeira diferente, com a imagem do nosso planeta visto do espaço, e no centro dele pessoas de cores diferentes de mãos dadas. Foi uma grande surpresa. O estádio inteiro aplaudiu e o mundo todo comentou. Outros atletas fizeram o mesmo e assim, durante aqueles dias, a bandeira do nosso planeta foi a mais fotografada de todas.

Foi como uma reação em cadeia. A partir desse dia, em todos os países as pessoas saíram às ruas com a nova bandeira. Ela apareceu nas camisetas, nos carros, na televisão, como se fosse o símbolo de um novo ideal, um ideal de todos os povos cansados da guerra, do preconceito e do desrespeito à vida e ao planeta. As pessoas saudavam o nascimento do novo símbolo que emergia do fundo da alma de todos falando de paz e unicidade, de um mundo unido e sem divisões.

Mas houve resistências, pois nem todos queriam a unificação. Houve conflitos e mortes. Porém nada pôde deter o movimento, e a partir de então as pessoas passaram a se considerar cidadãs, não de seus países, pois já não havia fronteiras, mas cidadãs do planeta. E passaram também a se considerar membros da mesma família, pois lembraram que todos eram o povo do mesmo planeta. Algum tempo depois não tínhamos mais guerras e, assim, finalmente unificados, fomos admitidos na Confederação Galática e passamos a participar de uma Olimpíada muito maior e mais bonita.

Tenho que entregar agora minha redação. Meus colegas escreveram sobre planetas próximos, mas eu preferi escrever sobre a terceira pedrinha ao redor daquele Sol, que um dia tanto me cativou. Agora irei para casa, quero ver os jogos da Terra. E torcer muito. Para qual país? Eheheh… Para nenhum. Torcerei para que um dia, de repente, algum atleta suba ao pódio e erga uma bandeira diferente. Será tão emocionante!
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Ricardo Kelmer 2004 – blogdokelmer.com

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> Esta crônica integra o livro Blues da Vida Crônica

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BandeiraUniaoEuropeiaFedericaMogherini201608-04Medalhista olímpica exibe bandeira da União Europeia
 – Durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, a esgrimista italiana Elisa Di Francisca, derrotada  na final pela russa Inna Deriglazova, subiu ao pódio e se tornou a primeira atleta a comemorar usando a bandeira da União Europeia (UE) e não a de seu país. O gesto simbólico da atleta ao receber a medalha de prata tem uma razão: a luta contra o terrorismo.

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A mensagem de Avatar ao Povo da Terra – Temos de compreender o que os antigos já sabiam e nós esquecemos: a Terra é um ser vivo e nós fazemos parte dele

Pátria amada Terra – É animador ver as novas gerações convivendo mais naturalmente com essa noção de cidadania planetária

A ilha – Talvez uma ilha na verdade fosse uma… montanha! Sim, uma montanha com o pico fora dágua

A imagem do século 20 – Vimos nossa morada flutuando no espaço. Vimos um planeta inteiro, sem divisões. Não vimos este ou aquele país: vim o todo

WikiLeaks e o nascimento da cidadania global – Quanto mais as pessoas se conectam à internet, mais elas se entendem como participantes ativos dos destinos do mundo e não apenas de seu país

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A humanidade, o psicólogo e a esperança – Os acontecimentos mostram que a humanidade está se unificando, unindo seus opostos

O sonho que morreu na praia – O mar, que não liga para nacionalidades, aceitou receber o menino sonhador

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