Missão aceita

02jun2008

Esse negócio de dividir o planeta em países, separando os povos, incentivando o medo do diferente e justificando as guerras, isso já tá na hora de acabar

Caros amigos da Confederação Galática

Tô bastante honrado pelo convite. Não me considero o mais indicado pra esta função, mas me esforçarei pra ser um bom correspondente da Confederação aqui na Terra.

No sonho, vocês me diziam que eu não deveria me preocupar caso não entendesse tudo. Ainda bem, pois muita coisa não entendi mesmo. Mas entendi perfeitamente que nosso planeta não fará parte da Confederação enquanto não estiver unificado, ou seja, enquanto existirem países e fronteiras a Terra continuará isolada do resto da Via Láctea. Isso eu entendi. Aliás, disso eu já desconfiava havia algum tempo, que esse negócio de dividir o planeta em países, separando os povos, incentivando o medo do diferente e justificando as guerras, isso já tá na hora de acabar.

Pensando bem, esse negócio é muito lógico: só há guerra entre aqueles que se julgam diferentes. Jamais houve uma guerra entre iguais. Sim, é claro que diferenças sempre existiram e existirão – mas elas devem ser vistas como diversidade cultural e riqueza genética, e não como pretexto pra disputas. Isso eu já entendo faz um tempo. Diferenças são oportunidades de aprender o que jamais aprenderíamos na monotonia da completa igualdade. A vida só germina na diversidade. Então, nosso aprendizado agora é cuidar da diversidade, permitindo que todos tenham os mesmos direitos, que todos possam ir e vir, pra que em breve todos possam se ver como membros da mesma família.

Ah, entendi também que há outras pessoas tendo esses sonhos por aí, gente que se considera cidadão do mundo e não apenas de um único país, gente que se considera pertencente a uma única raça, a raça humana. E que essas pessoas precisarão propagar essas novas ideias, juntando outras pessoas e fortalecendo cada vez mais o sonho de uma Terra una e de uma humanidade unida no respeito à vida e às diferenças.

Putz, não tinha uma missãozinha mais fácil não?

Vocês sabem que essas ideias encontrarão fortes resistência, né? A grande maioria dos terráqueos ainda tá totalmente imersa num velho conceito de mundo que só consegue conceber separação, fronteiras, competivismo e guerra. A grande maioria acha que sua cultura é a melhor e sua religião é a única verdadeira. A grande maioria ainda não consegue elevar a compreensão acima das diferenças e se perceber como o Povo da Terra.

Ok, ok. Eu certamente não estarei vivo pra ver a Terra unificada, mas aceito a missão. Só me meto em confusão mesmo.

Terceira Pedra do Sol. Interessante o modo como vocês chamam nosso planeta. É ali, ó, a terceira pedrinha ao redor daquela estrela… É bem poético, gostei. A gente aqui chama de Terra, apesar dela ter mais água. Aliás, em breve vai faltar água por aqui, pode uma coisa dessa? Também não entendo. Coisas deste mundo louco.

Volto a qualquer momento com mais notícias.

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Kelmer o Terráqueo
São Paulo, Terra, 3a Pedra do Sol

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Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com

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Comentarios01 COMENTÁRIOS
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4 Responses to Missão aceita

  1. Fabiano disse:

    Cara, adorei esse seu texto! Mas… Ele é um conto, só isso de texto ou o quê? Vai ter mais?

    Abraço!

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  2. Vinicius disse:

    Você já ouviu falar em guerra civil? Aquela praticada por iguais… Somos muito piores, pois não lutamos apenas contra aqueles que consideramos diferentes.

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  3. Chris disse:

    Adorei!!!!!!!Genial!!!!!!!!

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  4. Ana disse:

    Kelmer,
    Isso que você propõe aí eu já vi acontecer aqui na Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais. Um professor da Faculdade de Medicina da UFMG, ambientalista, encerrando uma palestra em um seminário sobre a transposição do Rio São Francisco, apresentou uma bandeira do Planeta com o argumento de que os rios, o vento, o sol não conhecem dos limites administrativos artificialmente criados. A própria legislação sobre recursos hídricos prevê que o planejamento de políticas públicas seja feito em nível de bacia hidrográfica, território que possui o elemento água como agregador, responsável mesmo pela vida e saúde das pessoas.
    Na época, o meu sentimento de mineiridade logo deu o grito. Como eu vou me distinguir no mundo? Vou deixar de pertencer a essa Minas que eu tanto amo no meu peito? Bairrismo puro, né?
    Você tá ligado nas forças superiores, cara, que bom!

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