13jul2008
Mulher-comida por si só já se explica: é gostosa, dá água na boca, faz a gente babar. Mulher-esqueleto dá medo, faz a gente rezar
MULHER SUBSTANTIVO SUCULENTO
.
Como você sabe, leitorinha querida, passei os últimos meses mergulhado na gravidez de meu novo livro Vocês Terráqueas e só agora é que retorno ao mundo. Então voltei a ver tevê e ler as notícias e… tomei um susto! Putz, parece que de repente o caminhão da Ceasa virou na curva e fomos esmagados por uma avalanche de mulheres-comida.
Quando o cidadão finalmente consegue sair de baixo dos 120cm de abundância da Mulher-Melancia, puff, enfia o pé na Mulher-Jaca e depois, tôin, recebe uma peitada da Mulher-Melão e, nhac, vai parar entre as sobrecoxas da Mulher-Filé, e aí já saímos da seção de frutas e estamos na churrascaria, onde reina a Mulher-Rodízio, e se o cidadão for vegetariano, não precisa entrar em pânico pois ainda tem a Mulher-Samambaia.
Aí aparece a Martha Medeiros, que é uma fofa e escreve bem, pra dizer que prefere ser a Mulher-Banana, que é aquela que é uma boba e fica chocada com a degradação feminina e acha que não faz a menor diferença pros homens se a mulher tem 90cm ou 120cm de bunda… Ops. Se o homem for brasileiro, faz diferença sim, Marthinha. Quer ver, faça uma enquete: você, homem do sexo masculino, prefere os 120 da Andressa Soares ou os 90 da Giselle Bundchen?
Ah, leitorinha, vou meter minha colher mais profundamente nesse panelão. Vulgaridade, degradação feminina, prejuízo à imagem da mulher, hummm, não sei, isso tudo é relativo. Prefiro me ater a outro aspecto da questão. Veja o biotipo dessas mulheres-comida: são todas fornidas, gostosas, curvilíneas, suculentas. São o oposto sabe de quê? Dos féxon-uíques da vida, com sua mórbida ênfase no magricelismo.
Quer saber? Essa onda de mulher-comida tem meu toootaaal apoio. Porque parece ser uma natural reação da sociedade à ditadura da magreza, argh, essa coisa estúpida que convenceu as mulheres a se transformarem em retilíneas e desnutridas musas de cemitério, um bando de mulher-esqueleto, todas condenadas a violentar a natureza de seu corpo e a viver eternamente esfomeada. Ou seja, querem transformar a mulher numa assombração.
Mulher-comida por si só já se explica: é gostosa, dá água na boca, faz a gente babar. Mulher-esqueleto dá medo, faz a gente rezar. Carne e fruta são comida e comida é vida. Osso é cardápio de enterro. Uma é alimento e apetite, a outra é triste privação. Retas são previsíveis, tão monótonas que só se encontram no infinito das passarelas. Curva não, curva é mistério, é onde a gente derrapa e se perde no meio delas. A reta é o concreto da secura. A curva é a fartura do sertão.
Bem, que cada mulher seja feliz com o corpo que ela prefere ter. E, obviamente, tem gosto pra tudo. Mas, cá pra nós, leitorinha: essa ditadura da magreza só pode ser algo criado por quem na verdade não ama as mulheres. E quem alimenta essa ditadura quer torná-las escravas de um ideal estético que é irreal, inalcançável, totalmente antinatural e prejudicial à saúde física e psicológica. Por tudo isso, é receita infalível pra infelicidade.
Mas eu sei que tudo isso que falo é inútil pras mulheres que são zumbis da moda esquelética e adoram saber que as outras estão mooortas de inveja de seu corpo supernamoda. Se elas são felizes assim…
.
Ricardo Kelmer 2008 – blogdokelmer.com
.
LEIA NESTE BLOG
Queremos mulher carnuda – Infelizmente muitas de vocês estão tão paranóicas que se excitam mais com dieta que com sexo
Privada fashion week – Eu juro que tenho medo delas, parecem aqueles esqueletos de filme de assombração
Por dentro da mulher carnuda – Quem come vocês, meninas, por acaso são seus cabeleireiros?
.
.
– Acesso aos Arquivos Secretos
– Descontos, promoções e sorteios exclusivos
Basta enviar e-mail pra rkelmer@gmail.com com seu nome e cidade e dizendo como conheceu o Blog do Kelmer (saiba mais)
.
.



Escrito por ricardokelmer 















