As Preciosas do Kelmer – out2015

31/10/2015

31out2015

AsPreciosasDoKelmer201510
As Preciosas do Kelmer é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

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AsPreciosasDoKelmer201510AS PRECIOSAS DO KELMER

Dicas e pitacos para o mês
#37, out2015
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Capa do mês: Joana de Castela, Rainha da Espanha no sec 16, conhecida também por Joana, a Louca (1479-1555). Imagem: quadro “Doña Juana la Loca” (1877), de Francisco Pradilla y Ortiz. Museu do Prado (Madrid).

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*** EMAGRECER: A ESTRATÉGIA DO CONTROLE DA MULHER

A obsessão pela magreza feminina não é uma obsessão pela beleza, mas uma estratégia eficaz de controlar as mulheres. Padrões de beleza sempre existiram, claro, mas padrões não deveriam ser confundidos com obrigação. Assim como, de modo geral, os homens são treinados desde crianças para serem fortes, machões e infalíveis, as mulheres são treinadas para serem belas. Desviar-se dos padrões culturais dá trabalho e costuma gerar solidão e incompreensão, é verdade, mas pode ser a única saída para a verdadeira realização pessoal.

Faça regime, colecione tatuagens em seu corpo, compre o celular da moda, beba isso, frequente aquela balada, entre para a igreja… Seguir a moda – é só isso que a indústria do consumo quer de você. Siga a moda e você será feliz. E enquanto você é “feliz”, você não tem tempo de pensar sobre o que realmente significa ser livre. É uma estratégia de controle perfeita. > Mais

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*** A JOVEM TRANSEXUAL NO QUARTEL

TransexualMariannaLively201510-02No dia 23set Marianna Lively, uma jovem transexual de 17 anos, foi a um quartel de Osasco-SP para resolver pendências relativas ao alistamento militar e, horas depois, começou a receber ligações e mensagens de desconhecidos. Alguns zombavam dela, outros queriam conhecê-la. Ele então descobriu que seus dados pessoais e fotos estavam nas redes sociais, e que foram publicadas por um soldado do quartel.

Marianna registrou um boletim de ocorrência numa delegacia de Barueri, cidade onde mora. Além disso, voltou ao quartel e questionou o capitão da base. De acordo com Marianna, ele teria “pedido desculpas pelo transtorno”, complementando que o soldado responsável pelo vazamento seria punido. A advogada de Marianna, Patrícia Gorisch, entrará com um boletim na justiça militar e cobrará explicações da corregedoria. Além disso, registrará uma liminar exigindo que o Facebook e o Whatsapp proíbam a divulgação das fotos.

O caso de Marianna não foi o primeiro e infelizmente não será o último. O preconceito contra pessoas transexuais ainda é muito forte. Assim como aconteceu com os homossexuais, essas pessoas terão um longo caminho pela frente até terem garantidos seus direitos de cidadão. Quanto a nós, pessoas cisgênero, ou simplesmente cis (que não são transgênero), nos cabe aprender a respeitar mais essa diferença em nossa espécie. > Mais

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*** A BONDADE CONTRA O ÓDIO ÉTNICO

Nos anos 1980, o skinhead americano Arno Michaelis subia aos palcos com sua banda para cantar canções racistas. Fora dos palcos, Arno agredia pessoas inocentes, porque elas eram de etnia diferente da sua. No entanto, sua vida começou a mudar quando ele percebeu que várias pessoas, que supostamente deveriam odiá-lo por seu comportamento, teimavam em tratá-lo com bondade e paciência.

Em 2012, um massacre em um templo da religião sikh em Wisconsin fez com que ele abandonasse de vez sua vida de ódio. Hoje, aos 44 anos, Arno Michaelis lidera a ONG Serve 2 Unite, que trabalha para melhorar as relações entre as raças – atuando, inclusive, no Brasil. Conheça sua história. > Mais

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*** O MASSACRE DE KUNDUZ

No dia 3 de outubro os EUA borbardearam e destruíram um hospital da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Kunduz, no norte do Afeganistão. Os ataques mataram 22 pessoas, incluindo 12 profissionais de MSF e 10 pacientes, sendo 3 crianças, e feriram mais de três dezenas de pacientes e profissionais da MSF. Os EUA conheciam a localização exata do hospital, mas decidiram bombardeá-lo pois ele recebe pacientes sem distinções de etnia ou religião, e lá havia também combatentes inimigos. O Presidente Obama pediu desculpas, mas a MSF achou pouco.

Atacar um local protegido, como uma instalação hospitalar, é uma grave violação do Direito Internacional Humanitário e das Convenções de Genebra. Ou seja, é crime de guerra. A MSF solicitou uma investigação internacional independente pela Comissão Internacional Humanitária para a Apuração dos Fatos, o único órgão instituído especificamente para investigar violações do Direito Internacional Humanitário.

Assine a petição para que os EUA concordem com a investigação

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*** FALA COM O CUNHA, JESUS

Se Jesus Cristo voltar e quiser criar um site, terá que comprar de Eduardo Cunha. O esperto deputado cristão, atualmente presidente do Congresso nacional, registrou mais de duzentos domínios na internet com o nome de Jesus e de outras expressões religiosas. Para mantê-los sob sua guarda, ele gasta aproximadamente R$ 8 mil por ano. Ele não usa os sites, mas também ninguém pode usar. Veja alguns:

youtubejesus.com.br – facebookjesus.com.br – gmailjesus.com.br – radiofeemjesus.net.br – terrajesus.com.br – tvfeemjesus.net.br – uoljesus.net.br

E tem mais estes, olha que fofo:

chegouasuabencao.net.br – compraabencoada.net.br – compracrente.net.br – crentecompra.com.br

Cunha é fiel das igrejas Sara Nossa Terra e também da Assembleia de Deus, onde ele teria, segundo investigações, lavado R$ 250 mil. Quer conhecer a lista completa dos domínios de Cunha na internet. Clicaqui

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*** OS ORGASMOS DE DONNA SUMMER

“Love to love you, baby” é um dos grandes sucessos da cantora Donna Summer, a Rainha da Disco. Lançada em 1975, causou polêmicas pela interpretação carregada de erotismo. Na versão de dezessete minutos, que ocupava todo o lado do disco, e que foi gravada num estúdio em completa escuridão e com Donna deitada no chão, contam-se, segundo a BBC, vinte e três orgasmos. Anos depois, por motivações religiosas, Donna retirou a música de seu repertório de shows, mas depois a reincluiu.

Este vídeo, com uma versão remixada, ficou ótimo. Mas a gravação original é imbatível.

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*** OSLO SEM AUTOMÓVEIS NO CENTRO

Aos poucos o mundo percebe que não é mais viável priorizar o automóvel nas cidades. Em vez disso, a prioridade passa a ser o transporte coletivo, juntamente com a valorização dos espaços públicos.

Em São Paulo, a administração de Fernando Haddad segue essa tendência, mesmo enfrentando forte resistência política. Além das ciclovias e dos ônibus de madrugada, uma das medidas foi fechar a av. Paulista aos domingos para automóveis, oferecendo à população uma ótima e gratuita opção de lazer.

Oslo, capital da Noruega, quer proibir automóveis no centro da cidade. É provável que em breve outras metrópoles lhe sigam o exemplo, ao menos em parte. > Mais

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*** JOANA. LOUCA OU INJUSTIÇADA?

Joana era mesmo louca? Seria esquizofrenia, a sua doença? Seu amor intensamente apaixonado, sexual e ciumento pelo marido era socialmente aceitável? E as agressões e vinganças contra as amantes dele? E a obsessão com os restos mortais do marido, que a levou a comandar um custoso e macabro cortejo que por meses cruzou o país, horrorizando a todos? Isso seria justificativa suficiente para mantê-la presa numa ala de um castelo por cinquenta anos? Ou, por trás de tudo isso havia frios interesses políticos e jogos de poder, para afastá-la do trono espanhol?

A vida de Joana (Juana, em espanhol, que viveu entre 1479 e 1555), filha dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela, é muito rica de significados. Nela, misturam-se conchavos políticos entre reinos, fanatismos religiosos, intrigas familiares, guerras, revoltas populares e sexo temperado com muito ciúme, brigas e baixarias em público.

Pressionada por todos os lados a todo momento, vivendo no centro de poderosos interesses políticos, religiosos e econômicos, Joana certamente sentia diariamente o peso de ser uma Rainha, mas uma Rainha que era impedida de governar por sua própria família, incluindo seu marido, seu pai e seu filho. Mantida prisioneira num castelo, quase sem contato com o mundo exterior, recusando-se a se alimentar e até a lavar-se e trocar de roupa, Joana terminou seus dias de modo triste e deplorável, e é surpreendente que tenha vivido até os 76 anos.

Não tivesse amado tanto o marido, teria tido uma vida melhor? Não fosse tão dependente dos prazeres sexuais que ele lhe dava, teria sido uma mulher mais equilibrada e feliz? Esse amor intempestivo e esse ardor sexual a faziam uma mulher “louca” e subversiva aos olhos das pessoas da época? Seria Joana, sempre inconformada pela privação de suas escolhas, uma precursora do feminismo? Ou sua instabilidade mental, de uma forma ou de outra, fatalmente a arrastariam para o destino que teve? Podemos apenas especular, pois não há muitos registros disponíveis. Uma coisa é certa: quis o destino que na vida sofrida de Joana a história da Espanha tivesse seu início oficial, através da união dos reinos hispânicos, dos quais ela era a legítima Rainha. > Saiba mais

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*** HOJE DÁ CADEIA, MAS ANTES ERA NORMAL

Muitas coisas que eram normais (e a gente gostava) nos anos 1980 e 90 hoje seriam consideradas erradas, escandalosas, absurdas mesmo. Algumas até dariam cadeia. Será que você cometeu alguma delas? > Mais

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O desejo da Deusa

12/10/2015

12out2015

Um encontro na praia, as forças da Natureza e um deus repressor

ODesejoDaDeusa-02

O DESEJO DA DEUSA

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– Aí eu fico pensando o que Deus vai pensar de mim! – Zoé respondeu, angustiada. E Monquita balançou a cabeça, sem acreditar, como a amiga podia ser tão reprimida?

O céu de Jericoacoara parecia um manto negro cravejado de lantejoulas, tantas as estrelas, tão brilhantes eram. Zoé olhou para elas e, mesmo sabendo que a noite estava linda, não conseguia ver nenhuma beleza. Ela suspirou, desanimada. Estava em apuros. Uma parte sua ansiava pelo moço, mas a outra parte se aterrorizava diante de tal ânsia…

O moço. Ela o conhecera na noite anterior, no ônibus que os levaria a Jericoacoara: ele sentou na poltrona ao lado, entre eles apenas o vazio do corredor. O moço era jovem, moreno, bonito, tinha uns olhinhos verdes… Parecia tímido, e isso lhe dava um certo charme. E a observava! Discretamente, sim, mas não tanto que ela não pudesse perceber.

– Essa viagem promete, heim…

Era a amiga Monquita, lhe beliscando o braço.

– Sua boba. Ele é bem mais novo que eu.

– Pronto. Já começou a se boicotar…

Ela pensou em retrucar, mas desistiu. Estava cansada, queria aproveitar as próximas horas de estrada para dormir. E foi o que fez.

Acordou somente para a troca de carros, na cidadezinha de Jijoca. E foi enquanto passavam as mochilas para a caminhonete que ela soube que em Jericoacoara o moço se hospedaria na mesma pousada onde elas ficariam, que coincidência…

– Nada de coincidência – a amiga brincou. – Já te falei que em Jeri o mar de repente aparece… e tudo acontece.

– Fala baixo, Monquita! – ela a repreendeu, e tratou de sentar no último banco, bem longe do moço.

– Eu vi como os teus olhos brilhavam quando você olhava pra ele ‒ continuou a amiga, sentando ao lado. ‒ Pareciam dois faróis!

– Tá bom. Agora te aquieta aí e vamos aproveitar a paisagem.

Mas foi inútil. Durante o trajeto pelas dunas, sob o céu estrelado do litoral cearense, teve que escutar mais uma vez a amiga a lembrar-lhe: ela era uma mulher de quarenta anos, separada, bonita, livre e não tinha que prestar satisfação a ninguém das coisas que fazia. Para Zoé, porém, não era assim tão simples. Sim, ela agora era uma mulher separada, mas acontece que sempre que se interessava por um homem, era como se toda a sua educação cristã de repente lhe pesasse sobre os ombros e aí era impossível fugir do olhar implacável de Deus…

– Ele está a dois quartos do nosso, você viu? – perguntou a amiga, enquanto trocavam de roupa, já no quarto da pousada.

– E daí? – respondeu Zoé, séria.

– Ih, relaxa, amiga. Este fim de semana é pra gente se divertir.

– Você sabe que eu fico nervosa com essas coisas, tô destreinada…

– Tá bom. Mas pelo menos põe um sorriso nessa cara, vai.

Zoé sorriu. A amiga tinha razão, precisava relaxar.

Escolheram um bar com música ao vivo. Logo na entrada, porém, Zoé ficou séria novamente. Lá dentro, em frente ao pequeno palco onde tocava uma banda de rock, o motivo de sua seriedade tomava uma cerveja.

– Hummm, acho que a Deusa tá querendo acasalar gente…

– Fala baixo, sua louca!

Monquita a puxou pelo braço e no instante seguinte estavam encostadas no balcão. Enquanto a amiga pedia duas caipiroscas, ela tentava se esconder do moço.

– Zoé, você tá parecendo uma adolescente idiota…

Ela riu de nervosismo e teve que admitir para si mesma: de fato, comportava-se como uma garota boba de quinze anos, e nem sua filha, um ano mais nova, agia assim. Como um desconhecido podia deixá-la tão nervosa daquele jeito?

A amiga havia ido ao banheiro quando, de repente, escutou a voz atrás de si:

– Legal esse bar, né?

Zoé virou-se e lá estava ele, o moço, bem à sua frente, ao alcance de seu braço, sorrindo para ela o sorriso tímido mais doce do mundo. E de repente ela sentiu um tremor em alguma parte não localizada de seu corpo.

– Se incomoda se eu… ahn… ficar aqui… com você?

A primeira coisa que lhe passou pela cabeça foi correr para o banheiro. Depois pensou em fingir que era surda. Por fim, procurando ser o mais natural possível, respondeu:

– Obriga-gada… mas eu… eu… tô aqui guardando a ca-caipirosca da minha amiga.

Hummm, que resposta ridícula, ela mesma reconheceu, já corando de vergonha. Mas agora era tarde, já falara. E ainda havia conseguido gaguejar três vezes numa única frase. Então sorriu, tentando relaxar. Mas o esforço pelo sorriso foi tamanho que no segundo seguinte ela estava séria novamente. Concentrou-se um pouco mais e conseguiu sorrir de novo. Mas imediatamente teve a certeza de que sorria o sorriso mais desajeitado da história da humanidade e desistiu de vez daquele negócio de sorrir. Pegou o copo no balcão e fingiu que dava um gole na bebida, qualquer coisa para não ficar ali olhando para ele, naquele silêncio constrangedor, os olhinhos dele… tão lindos… verdes como o mar de Jeri…

Como se houvesse cansado de esperar, o moço virou-se e saiu. Ela suspirou, aliviada – e ao mesmo tempo arrasada. De repente, a imagem do moço se afastando era a imagem viva de sua incompetência para ser feliz… Que droga! Tudo que precisava era obedecer a seu corpo e dizer sim, apenas isso, ela sabia… Mas por que era tão difícil? Por que a felicidade do corpo tinha de ser pecado?

Na volta para a pousada, a escuridão das ruelas de areia a fazia sentir-se num labirinto. Mas o labirinto na verdade estava dentro dela própria, ela sabia, corredores e curvas a levá-la sempre ao mesmo lugar: aquela maldita sensação de culpa. Onde ficava a saída? Por que se sentia tão suja por desejar um desconhecido?

A voz de Monquita a salvou do labirinto:

– Seu azar, minha filha, é que ele é tímido. Se fosse mais safado, tinha te agarrado ali mesmo no balcão.

– Tenho certeza que ele me acha uma débil mental.

– Acho que não. Ele apenas não entendeu o que uma freira fazia num bar de reggae…

– O que você faria no meu lugar?

– Eu? Eu já tinha arrastado ele pro quarto e lhe mostrado o que a Filha da Deusa tem.

– Ai, Monquita… eu até que tenho vontade, juro… mas aí eu fico pensando…

– Fica pensando o quê, mulher?

– Aí eu fico pensando o que Deus vai pensar de mim! – Zoé respondeu, angustiada.

Monquita balançou a cabeça, sem acreditar, como a amiga podia ser tão reprimida?

– Que deus é esse que é contra você se dar um pouco de prazer?

De volta à pousada, ela trocou de roupa, jogou-se na cama e fechou os olhos, querendo apenas dormir, apagar. Fugir de si mesma. Sumir.

Pelo corredor da igreja cheia de gente ela caminhou, até chegar ao altar, e quando se preparava para receber o anel em seu dedo, das mãos de um noivo mascarado, deu-se conta de que estava nua, inteiramente nua, e correu para trás do altar, tentando se esconder, mas a toalha do altar era curta demais e não cobria sua nudez…

No quintal da pousada, sentada no banquinho sob a goiabeira, enquanto aguardava a amiga sair do banho, Zoé ainda podia sentir vívidas as sensações do sonho que tivera aquela noite, ela nua em seu próprio casamento, morrendo de vergonha…

Aceitara o convite de Monquita para passar o fim de semana em Jericoacoara e esquecer a chatice do processo de divórcio, mas até então tudo que conseguira foi mostrar para si própria o quanto não era nada da mulher livre que imaginava que podia ser. Nem mesmo em sonho.

Nesse momento, ela o viu. O moço saía de seu quarto e, vestido apenas com uma sunga preta, parou à porta ainda sonolento e despenteado, esticou os braços e se espreguiçou, dobrando o corpo para um lado, depois para o outro, girando o tronco, o pescoço… Não era tão forte, mas tinha um corpo bonito. Zoé sentiu o coração disparar enquanto o moço seguia em direção ao lugar onde o café era servido, caminhando descalço e devagar, de um jeito bonito, uma elegância displicente, parecia um felino…

Foi como se o tempo parasse para ela olhar. Olhar e sentir o calor na coxa, aquela antiga sensação… um arrepio a lhe fuçar por dentro, sem pedir licença… Ela levou a mão para o meio das pernas e apertou uma contra a outra, e fechou os olhos, deixando que a sensação guiasse sua mente por aqueles caminhos que ela já esquecera que existiam…

Mas logo abriu os olhos, assustada com a intensidade das sensações. E saiu apressada para o quarto.

– Monquita, eu imaginei tanta coisa naquele tempinho… – ela comentou na praia, enquanto saboreavam peixe frito e cerveja.

– Aposto que ele também já imaginou. Garçom, mais uma, faz favor.

– Ah, tanta menina novinha por aí, o que ele pôde ter visto em mim?

– Ele viu a loba, amiga. Ele viu a loba.

Zoé riu da amiga, ela e seu jeito estranho e divertido de ver a vida daquele jeito pagão, sempre falando em Deusa, em bichos, forças da Natureza…

No meio da tarde as duas subiram para a pousada e Monquita adormeceu logo. Mas Zoé não conseguiu dormir, possuída por um turbilhão de sensações e pensamentos, tudo se misturando, o desejo ardente, o medo, o calor nas coxas, o desejo, a vergonha, a culpa, o desejo… Quando não suportou mais, levantou-se e foi tomar um banho frio. Depois botou um vestido leve de algodão com alcinhas, amarelo para realçar o bronzeado recém-adquirido. Sair, caminhar. Ver o pôr do sol. Talvez fizesse bem.

Quando deixava o quarto, com cuidado para não acordar a amiga, lembrou que estava de cabelo preso. Retirou a presilha e sentiu o cabelo pousar sobre os ombros nus. E reparou que desde que chegaram a Jeri, aquela era a primeira vez que soltava o cabelo.

Na curva da ruazinha de areia… ele surgiu. Ele sempre surgindo assim de repente, seria seu pensamento que o atraía? Quase esbarraram um no outro. Parada à frente dele, não soube o que dizer nem o que fazer. Sentiu o rosto corar e imediatamente se arrependeu de ter saído sozinha. Mas nada fez. Tudo que conseguia fazer era continuar olhando para o moço bonito de sunga que olhava para ela, igualmente desconcertado, o moço dos olhos verdes, o mar nos olhos dele, o murmúrio do mar chamando, convidando…

Quando deu por si, já caminhavam lado a lado, descendo para a praia, sem falar nada. O céu estava um tanto nublado e começava a soprar um ventinho frio.

Finalmente, conseguiu falar alguma coisa: propôs um café. Ele gostou da ideia e pouco depois, já na praia, paravam na barraquinha de uma simpática senhora, que lhes serviu dois cafés em copo descartável. Ela deu o primeiro gole mas o café estava muito quente e pôs o copo sobre o balcão. Enquanto ele fazia o mesmo, ela aproveitou e olhou para ele, e achou lindo seu jeito tímido, e passeou os olhos por sobre seu corpo bonito, a pele morena, os ombros largos, o peito com pouco pelo, os braços, o tórax, as coxas… E por trás dele a imagem do mar, feito uma moldura, o mar de repente aparece e tudo acontece…

Então sentiu. O velho peso. Aquela conhecida e terrível sensação de peso, que subitamente vinha e a tornava incapaz. A velha sensação de culpa e pecado tomando conta de sua alma, feito uma sombra vinda do alto. Ela fechou os olhos, apavorada, como se fugisse dos olhos de Deus.

Mas já era tarde. Aconteceria de novo, mais uma vez, logo agora que estava tão perto…

Dessa vez, porém, foi diferente.

– Não.

Foi apenas um murmúrio a escapulir de sua boca, que nem ela mesma escutou. Um murmúrio feito de uma curta e única palavrinha anasalada, dita mais para dentro que para fora, sem força, sem ênfase, o último fiapo de resistência: não. Mas nessa palavrinha estava expressa toda a sua certeza de que não, ela não queria mais aquilo. Não. Ela agora queria ser livre. Ela agora queria ser ela, a verdadeira Zoé. Não a Zoé que durante todos aqueles anos vivera sufocada, amarrada, presa numa cela escura de sua própria alma, não essa Zoé, e sim a que nascera para ser feliz. Mas não a felicidade que a família e a religião de seus pais reservaram para ela, feito uma linda roupinha de bebê. Não, não essa Zoé. A outra. A outra que nunca pudera ser, mas que sempre se mantivera viva em algum lugar dela mesma, respirando por um canudo no fundo do lago, sobrevivendo das migalhas de sua esperança e matando a sede com as próprias lágrimas. Queria agora a outra Zoé, a que agora recusava a linda roupinha a ela reservada, que rasgava a linda roupinha. A Zoé que agora estava nua, pela primeira vez na vida.

– Não.

A rajada de vento foi repentina. E foi tão forte que virou o copo do balcão, fazendo o café derramar sobre ela, atingindo-lhe a barriga e a cintura. Ela gritou, abrindo os olhos assustada e sentindo o líquido fervente queimar sua pele. A senhora da barraca, preocupada, apontou a torneira ao lado e disse que ela pusesse logo água no local, rápido. O moço, assustado, saiu correndo e voltou no instante seguinte trazendo um balde com água.

Tudo foi muito de repente, tanto que Zoé só se deu conta do que fazia quando já estava fazendo: a mão erguendo o vestido, o moço jogando água sobre a pele avermelhada, a sensação da água fria sobre a pele quente, o vestido amarelo e molhado grudando-se às suas coxas, a transparência da roupa revelando a calcinha branca…

– Pronto, pronto, acho que já tá bom… – ela interrompeu, dando um passo para trás, subitamente envergonhada. – Não queimou tanto.

– Quer ir na pousada trocar de roupa? – o moço perguntou, preocupado.

A senhora da barraca ofereceu uma sombrinha, pode precisar, a noite tá com cara de chuva. E assim saíram, ele tenso e silencioso, e ela disfarçando com a sombrinha o vestido agora transparente, e torcendo para chegarem antes da chuva.

Mas não chegaram. No meio do caminho a água desceu forte e tiveram que abrir a sombrinha. Foi assim, debaixo da sombrinha, os corpos molhados e juntinhos, que os dois percorreram as ruazinhas de terra, enquanto toda a água do mundo desabava sobre eles. Foi assim que, de repente, o mundo ao redor desapareceu e tudo que existia era o corpo quente do moço e o seu, juntinhos, como se fosse um corpo só. E foi assim, sem ter mais qualquer controle sobre si mesma, sem saber o que estava fazendo e muito menos o que devia fazer, sem saber mais de nada, que ela sentiu as pernas fraquejarem e parou, temendo cair, e ele largou a sombrinha e a amparou em seus braços.

Aconteceu ali mesmo, na areia, na parte mais escura do beco. Mais tarde ela não saberia contar com exatidão, mas lembraria que ele a puxou e ambos caíram na areia, em meio a abraços e beijos incontidos. Ou não, talvez tenha sido ela quem o puxou. Depois ele rasgou seu vestido e bebeu a água da chuva diretamente em seus seios, feito um andarilho à beira da morte que encontra a fonte da vida. Ou não, talvez ela é quem rasgou o vestido e lhe ofereceu os seios, mulher bondosa que dá de beber ao viajante sedento. Depois ela o deitou na areia e montou sobre ele. Ou não, isso foi depois dela pôr-se de quatro e ordenar, rangendo os dentes, rosnando feito um bicho, vem logo! E depois, e depois… Bem, depois só lembra de senti-lo lá dentro, bem lá dentro, inteira e maravilhosamente lá dentro de si, enquanto se sentia perfeitamente harmonizada com toda a Natureza, e suas lágrimas se misturavam à água da chuva, e de sua boca se libertavam longos gemidos em forma de uivos, anunciando o prazer mais lindo e mais louco e mais intenso que jamais tivera em toda a vida.

– Não… isso não aconteceu… isso não aconteceu…

Monquita, que fora acordada aos puxões pela amiga e que escutara todo o relato em silêncio, agora tinha os olhos arregalados e estava pasmada, sem acreditar no que ouvia. Sentada ao seu lado na cama, num vestido rasgado e ensopado, os cabelos pingando água sobre a cama, Zoé estava radiante, iluminada, os olhos brilhando…

– Aconteceu sim, Monquita! Olha como eu tô! Olha aqui a queimadura.

Ela virou-se para a amiga ver na coxa a marca deixada pelo café fervente. E a amiga ficou ainda mais impressionada.

– Zoé… A Deusa te batizou com fogo!

Batizada com fogo. Zoé achou engraçada a expressão. E contou do momento em que, em sua angustiada luta contra a sensação de culpa, no segundo final de sua resistência, implorou com todas as forças que lhe restavam para que algo acontecesse…

– E aí a Deusa te acudiu.

– Não sei quem foi. Só sei que algo me ajudou derrubando aquele copo.

– Ela te mandou o Vento. Pra derrubar as defesas.

– Bendito vento.

– Depois mandou o Fogo, pra te batizar. Depois a Água pra te limpar. E, por fim, a Terra pra te acolher. Acolher a oferenda de vocês… o casamento sagrado…

– Quer saber mais? Ele me convidou pra dormir com ele.

– A amiga ainda tem disposição?

– Como você mesma diz, ele despertou a loba, agora que aguente… – brincou Zoé, rindo à solta.

Sentia-se tão leve… Parecia que se libertara de um peso imenso e, ao mesmo tempo, sentia-se preenchida, maravilhosamente preenchida. Tudo que sabia era que acontecera, apesar de todos os seus medos e culpas e resistências, apesar da timidez dele, apesar de Deus, apesar de tudo. Acontecera. E agora ela era outra Zoé. Zoé de Jeri. Renascida pelo Vento. Batizada pelo Fogo. Limpa pela Água. Acolhida pela Terra.

É, talvez Monquita tivesse razão. Só mesmo uma divindade feminina para fazer tudo aquilo com tamanho jeitinho…

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Ricardo Kelmer 2007 – blogdokelmer.com

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Este conto integra os livros
Indecências para o Fim de Tarde
Vocês Terráqueas – Seduções e perdições do feminino

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01- Qualidade literária: 5 Sexualmente excitante:  5 Prende a atenção:  5 Divertido: 3 Provoca reflexões: 4. O conto da Deusa é maravilhoso, voce imagina no começo que vai acontecer algo entre os dois, mas nao da pra imaginar como vai acontecer. E tudo acontece naturalmente, um sentimento forte, um tesao os une, sem pornografia, mas com muito erotismo e sensualidade. Adorei, nota 5. Bruna B, Campina Grande-PB – 2014

02- Maravilha Ricardo. Pra mim foi uma leitura completa. Maravilha. não acrescentaria nada. Está perfeita, sem comentários..puro desfrute….maravilha…. Eu nunca imaginei que um dia estaria tendo essa experiência e confesso que fiquei com medo quando me expus para te ajudar, mas esta sendo fascinante…rsrsrsr… és bem jeitoso e fostes bem cuidadoso com os contos que me enviates. Maravilha! Tu sabes escrever….sem comentários porque estou sem palavras….porque não há palavras mesmo….rsrs….  Anosha Prema, Campinas-SP – 2014

03- O Desejo da Deusa, amei!!  é divertido, excitante, eu li de uma vez só e adorei a personagem Zoé, nota 5 em tudo. Cris B, São Paulo-SP – 2014

04- Demais !!!! Silvia Teresa Polo Jimenez , João Pessoa-PB – nov2015

05- Aiii… adorei… me lembra uma certa pessoa… rsrsrs.. parabéns querido!  Thaís Guida, Rio das Ostras-RJ – nov2015

06- Perfeito, Kelmer! Ana Velasquez, Corumbá-MS – nov2015

07- Às vezes, meu caro Ricardo Kelmer, o olhar mais implacável é o nosso … Obrigada pela partilha, sempre produtiva… Bjs e até breve!!! Lenha Diógenes, Fortaleza-CE – nov2015

08- E ela não sabe se abre ou fecha a porta de vez, depois de tantos desencontros e o medo do sofrimento dos homens que nem acreditam em nada. E ai, vem o olhar implacável. Gostei muito. Jane Arruda de Siqueira, São Paulo-SP – nov2015

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As Preciosas do Kelmer – set2015

29/09/2015

29set2015

AsPreciosasDoKelmer201509
As Preciosas do Kelmer é uma revista que criei no Facebook. Ela é feita de dicas e comentários sobre variados assuntos. A periodicidade é mensal, funciona por meio de uma única postagem que abasteço com subpostagens e os leitores podem comentar a qualquer momento e até sugerir assuntos. Por seu caráter dinâmico e interativo e por construir-se a cada dia, eu diria que é uma revista orgânica. A capa da revista é a própria imagem da postagem, que sempre trará imagens femininas.

Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

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AsPreciosasDoKelmer201509AS PRECIOSAS DO KELMER
Dicas e pitacos para o mês
#36, set2015
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Capa do mês: Estela Renner, cineasta brasileira

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*** ELA MENTIU A IDADE PARA TRANSAR E ARRUINOU A VIDA DELE

Roteiro para um filme de terror: um rapaz de 19 anos é condenado pela Justiça e, por isso, fica proibido de usar a internet pelos próximos 5 anos, o que destrói sua carreira na ciência da computação. Além disso, ele não pode conversar com ninguém com menos de 17 anos e está proibido de entrar em estabelecimentos que vendem álcool, e precisa voltar para casa sempre antes das 8 da noite. Tem mais: ele não pode chegar a menos de 1 quilômetro de distância de parques e áreas públicas em geral.

Terrível, né? E o que esse rapaz fez para merecer tamanho castigo? Ele fez sexo consensual com uma garota que mentiu a idade para ele, dizendo que tinha 17, quando na verdade tinha 14. Isso transformou o encontro deles num crime sexual.

Ainda bem que isso só acontece nos filmes, né? Não. Aconteceu de verdade, em 2015, no estado de Indiana-EUA. A própria garota e sua mãe defenderam Zachery no julgamento, disseram ao juiz Dennis Wiley que ele não tinha culpa e pediram que as acusações fossem abandonadas. Mas o juiz não se senbilizou. O nome de Zachery estará na lista de criminosos sexuais pelos próximos 25 anos.

Para completar o clima de pesadelo kafkiano, o juiz justificou sua sentença com uma afirmação para lá de absurda, que reflete todo o seu moralismo e seu desconhecimento sobre as mudanças culturais na sociedade. “Você foi à internet pescando mulheres para conhecer e fazer sexo. Isso parece fazer parte da nossa cultura agora: conhecer, sair, transar e dar adeus. É um comportamento completamente inapropriado. Não há desculpa alguma para fazer isso.”

É um pesadelo real. O que podemos fazer? No mínimo, demonstrar solidariedade a Zachery, assinando a petição criada por seus pais. E mantermo-nos sempre atentos contra o perigo do moralismo conservador. > Mais

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*** COMO AJUDAR IMIGRANTES

ElesEstaoNaFronteira-02Através da Unicef e de ongs, podemos ajudar imigrantes, inclusive os haitianos que vêm ao Brasil reconstruir suas vidas. > Mais

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*** A BANDEIRA CERTA DO SETE DE SETEMBRO

Neste Sete de Setembro acontecerá nas ruas do Brasil a 21a edição do Grito dos Excluídos, evento organizado por movimentos sociais, organizações populares e coletivos de direitos humanos. Um dos lemas deste ano é “Que país é esse, que mata gente, que a mídia mente e nos consome?” O lema visa denunciar a manipulação e a violação de direitos pela mídia e anunciar a necessidade de democratização dos meios de comunicação. Será que a grande mídia vai divulgar? > Mais

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*** DOCUMENTANDO COM ESTELA RENNER

Conheci Estela em 2004, no Rio de Janeiro. Fizemos parte da produção do sitcom Mano a Mano, que foi exibido em 2005 pela RedeTV. Eu trabalhei como roteirista e ela foi uma das diretoras dos episódios.

Atualmente Estela trabalha com filmes e documentários. Ela dirigiu “Criança a alma do negócio” (2008), que denuncia o perigo da publicidade para crianças. Dirigiu também “Muito além do peso”, sobre obesidade infantil. Atualmente dedica-se a seu novo documentário, sobre a importância dos três primeiros anos da vida de uma pessoa. Estela também dirigiu um episódio da série documental “Amores expressos”, exibido pela TV Cultura em 2011.

Em seus trabalhos, Estela revela sensibilidade em relação à condição humana e leva o espectador a se questionar sobre os valores que norteiam nossa sociedade. É um belo exemplo da arte a serviço da valorização do indivíduo diante da opressão dos sistemas e da ganância capitalista. > Aqui você confere uma entrevista com ela

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*** OS ZUMBIS E O FASCÍNIO PELA MORTE

O que fascina mais? Vampiros ou zumbis? Taí uma briga boa. Ambos são representações do arquétipo da morte e, por isso, causam medo. Mas por que fascinam tanto? No vampiro, temos o poder da beleza e sedução e da promessa de vida eterna, embora isso possa ser também uma maldição. No zumbi, temos a decrepitude e a escravidão.

Ambos são mortos-vivos, e talvez esteja aí o motivo do fascínio. Eles se situam naquela misteriosa zona fronteiriça entre a vida e a morte, onde, por mais medo que tenhamos, sempre queremos dar uma olhadinha. São mensageiros do mundo de lá, mas nunca trazem boas notícias, ao contrário de anjos e outros seres celestiais. Cada um ao seu modo, vampiros e zumbis são mais humanos do que nos agrada admitir.

> Conheça um pouco sobre a história da crença em zumbis

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*** HISTÓRIA DA MACONHA NO BRASIL

Segundo o livro “História da Maconha no Brasil”, de Jean Marcel Carvalho França, a maconha chegou ao Brasil por volta de 1770, quando o vice-rei de Portugal ordenou que se cultivasse o cânhamo na então colônia para a produção de cordas e velas navais. O empreendimento não deu certo, mas foi o responsável por prosperar o cultivo da planta para uso recreativo – aqui introduzido por marinheiros portugueses, conhecedores e consumidores da erva proveniente da Índia, e por escravos africanos, herdeiros do gosto pelo haxixe dos povos da Península Arábica.

Atualmente, no Brasil, a maconha é usada quase que apenas para uso recreativo, e seu imenso potencial para uso industrial e medicinal não é aproveitado por conta da política proibicionista. Que pena. > Mais

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*** A FOTO DE FAROL MAIS FAMOSA DO MUNDO

FarolLaJumentJeanGuichard-01bA foto parece ser uma montagem, de tão incrível que é. Será que é real? E se é real, aquele homem da foto morreu? E por que ele estava ali? > Mais

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*** ONDE TERMINA A LIBERDADE DA RELIGIÃO?

O técnico Dunga proibiu manifestações religiosas exageradas nas concentrações da seleção brasileira. A decisão veio após um pastor evangélico visitar a seleção nos Estados Unidos e divulgar fotos nas redes sociais. Dunga afirmou que o culto religioso realizado no hotel da seleção não foi autorizado pela CBF e que novas manifestações estão proibidas: “Respeitamos todas as religiões, mas seleção não é local de exposição religiosa ou política.”

Dunga está corretíssimo. Os fanáticos, evidentemente, protestarão e dirão que isso vai contra a liberdade de expressão, esquecendo que a liberdade da religião termina quando começa o direito do espaço laico. > Mais

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*** ATLETA MENSTRUADA CORRE MARATONA SEM ABSORVENTE

A notícia parece que saiu daqueles sites de bizarrices. Mas, como me interessam temas ligados ao feminino, acho que é um fato que pode trazer reflexões úteis sobre nossa cultura.

Kiran Gandhi é uma estadunidense de 26 anos. Ela correu uma maratona menstruada e sem usar absorvente, como forma de motivar mulheres a se sentirem orgulhosas pelo fato de menstruarem. Kiran, que é formada em Administração e se declara feminista, completou a prova em quatro horas e 49 minutos e, ao fim, posou para fotos com a medalha, a roupa manchada e muito orgulho pelo que fez. > Mais

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*** O POLÊMICO XAMANISMO DE CARLOS CASTANEDA

Especial da BBC sobre o polêmico antropólogo que estudou o xamanismo no México, escreveu vários livros, envolveu sua vida numa grande aura de mistério e tornou-se um fenômeno do movimento Nova Era.

Se o que Castaneda relata em suas obras é verdade, teremos que admitir que o que entendemos comumente por realidade não passa de um fragmento de um universo bem mais amplo, profundo e assombroso. Se não é, então é preciso reconhecer que estamos diante de um formidável lunático, ou de um genial charlatão. Legendado.

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*** PESSOAS QUE VIVEM COM BONECOS

A fotógrafa estadunidense Elena Dorfman registrou o cotidiano de pessoas que vivem com bonecos, focando nos laços emocionais que os unem. > Mais

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*** QUANDO O GOOGLE ENCONTROU O WEAKLEAKS

Neste livro, Julian Assange, fundador do site WeakLeaks, discute as consequências da acumulação de poder pelo Google no século 21 e relata seu encontro com Eric Schmidt, presidente do grupo, em 2011. O resultado é um livro fascinante e alarmante, que revela os polos opostos em que esses dois personagens icônicos da atual “era tecnológica” se encontram e suas opiniões divergentes sobre o destino do mundo e das novas tecnologias. Assange alerta para os perigosos laços políticos entre Google e Facebook e o Departamento de Estado Americano para controlar a vida das pessoas e prejudicar a soberania de nações, além de impor ao resto do mundo a agenda que atende aos interesses econômicos e geopolíticos dos EUA.

Quando o Google Encontrou o WeakLeaks – Editora Boitempo – 2015 – 168 pag – Mais

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Volte outro dia, beibe

20/09/2015

20set2015

Hoje, 50 anos depois, Satisfaction parece não ter envelhecido nadinha, pelo contrário, pois a cultura do consumismo se intensificou a níveis impensáveis

VolteOutroDiaBeibe-02

VOLTE OUTRO DIA, BEIBE

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Era 1965 e os Rolling Stones faziam uma turnê pelos Estados Unidos. Keith Richards acordou no meio da noite possuído por uma ideia musical. Ele ligou o gravador, gravou uns acordes e voltou a dormir. Depois ele e Mick Jagger finalizaram a música, inspirados pela frustração de estarem confinados em seus quartos de hotel e não poderem tocar. A música foi batizada de Satisfaction e rapidamente virou um grande sucesso no mundo inteiro, tornando-se uma das canções mais emblemáticas da história. Ainda hoje, 50 anos depois, ela é bastante executada, e mesmo quem não gosta nem conhece rock muito provavelmente reconhecerá aqueles três acordes básicos, o riff, que iniciam a música e voltam a cada retomada do refrão.

Além do riff, a letra também encontrou imediata receptividade entre o público jovem. Talvez essa não tenha sido a principal motivação para os versos, mas eles soam perfeitamente como contestação à cultura de consumo, que persegue insistentemente o personagem no rádio e na TV. Na estrofe final, a frustração do personagem e a fala da garota (volte semana que vem, pois tô numa fase difícil) deslocam o foco para o terreno sexual, e aí a “satisfação” ganha novos significados, ampliando os horizontes interpretativos e seduzindo de vez os ouvintes jovens, que naqueles dias viviam a revolução sexual dos anos 1960. Some-se a isso tudo o jeitinho de Jagger de cantá-la e… buuummmm!!!, a música explodiu.

No início, várias rádios se recusaram a tocá-la por seu suposto apelo sexual. Mas não havia como deter a onda. E hoje, 50 anos depois, ela parece não ter envelhecido nadinha, pelo contrário, pois a cultura do consumismo se intensificou a níveis impensáveis. Hoje, buscamos sedentos a satisfação nas novidades que a cada dia surgem nos anúncios publicitários, mas quando as alcançamos, a novidade seguinte já nos acena à frente, para nossa frustração.

O consumismo do nosso tempo é uma garota linda e sorridente a nos seduzir o tempo todo com maravilhosas promessas de satisfação. Mas que repete sempre: volte outro dia, beibe, volte outro dia…

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Ricardo Kelmer 2015 – blogdokelmer.com

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ROLLING STONES – SATISFACTION
Apresentação em set1965

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LEIA NESTE BLOG

APergunta-01A pergunta – Um dia, porém, alguém desconfia. E entende que os que olham para fora, sonham, e os que olham para dentro, despertam. E aí a pergunta é inevitável

Paz e amor express – Durante cinco dias o Festival Express cruzou a leste-oeste do verão canadense levando em seus vagões os ideais da união pela música, a esperança ainda viva de um mundo de paz e amor

Lágrimas na chuva – E quando finalmente chegarem ao lugar para onde tanto correm, estarão em paz com as lembranças da vida que viveram?

Maluquice beleza – Já que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, Raulzito pegou a linha 743 e foi ser cigarra

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As Preciosas do Kelmer – ago2015

31/08/2015

31ago2015

AsPreciosasDoKelmer201508

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Meu objetivo com As Preciosas é dar vazão à minha necessidade de comentar fatos do cotidiano. Pra mim o Facebook é ideal pra isso. Aqui no blog postarei a edição do mês e a atualizarei a partir das atualizações no Facebook, sempre com imagens. Espero que você goste.

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Dicas e pitacos para o mês
#35, ago2015
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Capa do mês: Monique Prada, prostituta e ativista do feminismo

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*** OS ESPIÕES DO POVO E A TRANSPARÊNCIA GLOBAL

O nome do australiano Julian Assange talvez fique na memória da humanidade como um dos primeiros espiões do povo. Com a criação do site Wikileaks e seu trabalho sistemático de revelar segredos de corporações e governos, mostrando ao público a podridão de seus interiores, Assange ajudou a disseminar a cultura do compartilhamento de informações, trouxe mais transparência ao mundo e motivou outros a fazer o mesmo.

Evidentemente, isso não sairia barato. Faz dois anos que Assange vive como refugiado na embaixada equatoriana em Londres, pois se sair será preso, já que na Suécia há um mandado de prisão contra ele por assédio sexual (aliás, uma história muito mal contada). Caso seja enviado para a Suécia, é certo que o governo de lá o mandará para os EUA, que querem prendê-lo por divulgar informações comprometedoras, assim como fez com Chelsea Manning (que aguarda julgamento) e quer fazer com Edward Snowden (refugiado na Rússia).

Numa revolução popular, é comum que alguns revoltosos sejam escolhidos para pagar pela ousadia e servir de exemplo. Assim como Julian Assange, Edward Snowden e Chelsea Manning, os próximos espiões do povo que surgirem não terão vida fácil. Mas a revolução já começou, e quanto mais espiões do povo surgirem, mais os governos e corporações serão obrigados a aceitar que a cultura do compartilhamento de informações não tem mais volta, e que, de uma forma ou de outra, terão que ser mais transparentes para com a sociedade, da qual receberam o poder que possuem. > Mais

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*** O LEÃO CECIL E A MISÉRIA NO ZIMBÁBUE

Eu nunca tinha ouvido falar do leão Cecil, assassinado dias atrás no Zimbábue por um caçador de troféus estadunidense. Assim como eu, a maioria dos zimbabuanos também não conhecia o leão. Quem conhecia mesmo Cecil eram os turistas estrangeiros, ávidos por uma dose de natureza selvagem em suas vidas.

No país, a expectativa média de vida é de 52,7 anos. Lá, 72,3% da população vive abaixo do limiar de pobreza. O Zimbábue é o 172º colocado na lista dos países por índice de desenvolvimento humano (IDH). Não seria exagero dizer que o leão Cecil tinha uma vida melhor que a maioria dos zimbabuanos. > Mais

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*** 70 ANOS DA BOMBA DE HIROSHIMA

Hoje, 06.08.15, faz 70 anos que a população de Hiroshima foi presenteada com uma boma atômica. Três dias depois foi a vez de Nagasaki. Centenas de milhares de mortos, sobreviventes e seus filhos condenados aos efeitos radioativos e ao preconceito, cidades destruídas… Até hoje há quem defenda que isso foi o preço necessário para apressar o fim da guerra e evitar que mais pessoas morressem. Isso é a típica propaganda de guerra.

Na verdade, a rendição japonesa fatalmente ocorreria em breve, pois além dos bombardeios sobre suas principais cidades já serem intensos e sistemáticos, havia todas as dificuldades provocadas pelo bloqueio marítimo e também pelo colapso da Alemanha, que deixou de ajudar com recursos militares. O fator decisivo, porém, é que meses antes a União Soviética declarara guerra ao Japão e deslocara suas forças para a Manchúria, que invadiria em 08.08.45, derrotando as forças terrestres japonesas e minando qualquer esperança do Japão de contar com alguma mediação de Moscou numa rendição honrosa.

É importante entender que os EUA viam a bomba atômica não apenas como uma arma de destruição em massa, mas também como uma poderosa e inédita arma psicológica e política, pois com ela intimidariam a Rússia (na época, União Soviética), uma aliada na guerra, mas que já era vista como uma futura grande inimiga no pós-guerra, quando as duas forças geopolíticas dominariam o mundo. Outro fato é que os militares estadunidenses tinham interesse em pesquisar mais profundamente os efeitos da bomba, seu real efeito de destruição e a radioatividade nos sobreviventes e gerações seguintes, e para isso precisavam testá-la num evento de grande escala.

Atirar uma bomba atômica contra populações civis pode ser aceitável do ponto de vista militar, porém é preciso pensar sempre de fora da guerra, pois uma vez dentro da guerra, a lógica é uma só: matar ou morrer ‒ e em nome disso tudo é válido. Imagine se fosse hoje. Imagine que seu país entra em guerra e uma boma atômica é lançada sobre a cidade onde você vive, e depois sobre outra cidade, e depois sobre mais cidades, com o argumento de que isso fará o governo inimigo se render logo. Isso é justificável? > Mais

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*** A ANTIRROSA ATÔMICA

Vinicius escreveu este poema após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e o publicou em 1954. Em 1973 Gerson Conrad criou a melodia e a música imediatamente tornou-se um dos grandes sucessos de seu grupo Secos & Molhados.

Em seu poema, Vinicius evoca imagens fortes e cruéis para denunciar o horror da guerra, mas consegue fazer isso num tom suave e melancólico de surpreendente doçura. A melodia expressa perfeitamente tudo isso, e com o arranjo simples de violão e flauta, e a incrível voz de Ney Matogrosso, a música tornou-se um hino pacifista e antinuclear, cantado e recantado pelas sucessivas gerações.

A ROSA DE HIROSHIMA (Vinicius de Moraes)

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Este vídeo, com imagens da guerra do Vietnã e do Secos & Molhados, é terrível e belo ao mesmo tempo. Mas é bom vê-lo vez em quando. Para não esquecermos nunca do que nossa espécie é capaz.

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*** MESADA PARA ADOCICAR OS ESTUDOS

Pagar uma boa faculdade é o sonho de muitos jovens no mundo inteiro. Na Inglaterra, cresce o número de universitárias que bancam seus estudos conseguindo uma doce mesada de homens mais velhos. Elas são as sugar babies. E o homem mais velho é o sugar daddy. Em troca da mesada, a maioria delas faz sexo, mas tudo depende do acordo. Como é um negócio que não pode ser enquadrado legalmente como prostituição, já existem sites especializados em intermediar os encontros.

Se o sugarbabysmo continuar crescendo, num futuro próximo haverá muito mais estudantes endividados entre os homens que entre as mulheres. Mas, obviamente, nada impede que os estudantes do sexo masculino também aceitem doces mesadas de mulheres (ou de homens) para pagar seus estudos.

No Brasil, a prostituição entre universitários é relativamente comum. Quando surgirem no Brasil os sites especializados (alguém duvida?), certamente muitos estudantes preferirão o sistema de mesada, onde não há o forte estigma da prostituição. > Mais

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*** POLUIÇÃO EM SÃO PAULO

Morar em São Paulo não dá barato…

HUMORMaconha-10

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.*** MUDANÇA DE POSTURA NA GRANDE MÍDIA

Nos últimos dias Globo e Folha de São Paulo mudaram o tom de suas críticas ao governo e já não defendem as forçadas tentativas de impeachment (leia-se golpe). Agora os dois grupos de mídia defendem que o governo tenha melhores condições de governar, e até criticam o PSDB por estar pagando para ver o pior.

Por que mudaram? Porque o que move esses grupos é o capital. Eles perceberam que o monstro que tanto alimentaram nos últimos meses saiu do controle, e uma crise política, aliada a uma economia fraca, seria péssimo para seus negócios por um tempo demasiado.

Os que protestam e gritam pelo impeachment perderam dois fortíssimos aliados. Resta a Veja, que também já deu mostras que não mais insistirá tanto no golpe, mas que não pode se dar ao luxo de perder os leitores antipetistas que conquistou, os mesmos que batem as panelas e usam a camisa da corrupta CBF nos protestos. > Mais

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*** QUADRINHOS ERÓTICOS, PORNOGRAFIA E MORALISMO

Quadrinhos eróticos. Eu, particularmente, adoooro. E até hoje choro por, num momento de desespero financeiro, ter vendido minha coleção. Adorava ler e reler com a namorada as aventuras de Druuna, A Arte da Palmada, A História de O, Justine… Pense num afrodisíaco!

Que bom que as editoras estão mais motivadas pra lançar quadrinhos eróticos. Ainda há esperança pro mundo! Aliás, meu aniversário vem aí (21out). Quem quiser me fazer muito feliz, já sabe… > Mais

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*** ISRAEL E O PERIGO DO TERRORISMO JUDAICO

A violência cometida por colonos radicais judeus contra os palestinos da Cisjordânia sempre foi criticada pelo mundo inteiro, mas durante décadas Israel sempre fez vistas grossas para a questão. Agora a situação começa a mudar. O atentado incendiário na aldeia de Duma, próxima a Nablus, que resultou na morte de uma criança palestina de 18 meses e de seu pai, parece ter rompido a lei do silêncio que protegia o terrorismo judaico, um inimigo interno que ameaça o futuro de Israel como Estado democrático.

O fanatismo religioso é inimigo de qualquer democracia. Garantir a laicidade do Estado é a melhor forma de combatê-lo. > Mais

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*** DUAS LÍNGUAS, UM CASO DE AMOR

Que bela declaração de amor fraterno-linguística! De fato, o português e o espanhol são como irmãos que se separaram da mãe, seguiram suas vidas independentes mas nunca deixaram de se admirar e se influenciar. Um brinde! > Mais

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*** A MUTILAÇÃO GENITAL É O MEDO DO FEMININO LIVRE

IndiosEmberaChamiColombia-01Ah, esse medo da sexualidade feminina… Sim, esse medo existe, e existe há muito tempo. Em nome dele, as sociedades tomam medidas que mais parecem cenas de um filme de terror.

A prática da mutilação genital ainda persiste em alguns países da África, mas pode também ser encontrada na América do Sul, na Colômbia. Lá, muitas mulheres da comunidade embera-chami têm o clitóris extirpado na infância, um hábito cuja origem é incerta, mas que revela a velha preocupação pelo controle da sexualidade da mulher.

O arquétipo do feminino livre faz parte da psique humana. A cultura pode reprimi-lo, mas não pode exterminá-lo. Quanto mais mulheres e homens o acionam em si mesmos, mais as sociedades o entenderão com naturalidade e perderão o medo dele. A mudança começa em cada um. > Mais

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*** ATEUS SAINDO DO ARMÁRIO (17)

FÁBIO PORCHAT – Ator

Nasceu no Rio de Janeiro em 01.07.83. Morou em São Paulo em sua infância e se formou em Artes Cênicas, na Casa de Arte das Laranjeiras, no Rio. Na Globo, foi redator do “Zorra Total” e “Junto e Misturado”, entre outros programas. É autor e diretor de peças teatrais, além de atuar em filmes.

No canal do Youtube “Porta dos Fundos” Fábio e sua turma de humoristas têm ridicularizado, entre outras coisas, comportamentos e crenças religiosas, em um valioso serviço à democracia nestes tempos em que religiosos têm desafiado com ousadia o Estado laico. (fonte: paulopes.com) > Mais

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*** AÉCIO BLINDADO NEVES

Em 25.08.15, o doleiro Alberto Youssef reafirmou, agora à CPI da Petrobras, que Aécio Neves recebeu dinheiro de corrupção no caso Furnas. A grande mídia fez o possível para esconder o fato, escondendo-o em manchtes vagas e maquiando a notícia em contorcionismos jornalísticos. Por quê? Aécio é um senador, ex-governador de Minas Gerais, presidente do PSDB e candidato a presidente da República ‒ isso não merece uma notícia? E se fosse Lula ?

É mais um motivo para lutarmos pela democratização da mídia, pois somente com mais equilíbrio de forças no mercado da informação é que a população será melhor informada sobre o que acontece. > Mais

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*** PEPE MUJICA E A JUVENTUDE

PepeMujicaUERJ201508-01aJosé Pepe Mujica foi presidente do Uruguai entre 2010 e 2015. Militante do grupo de esquerda Tupamaro, ele foi preso político por 14 anos. Ele esteve no Brasil a convite da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul (Federasur), que o homenageou na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio, onde Mujica discursou para cerca de 400 pessoas.

À noite ele falou para cinco mil jovens no anfiteatro da UERJ, sendo bastante aplaudido. Mujica falou sobre democracia, desigualdade social, capitalismo e consumismo, sempre demonstrando sua notável lucidez sobre o nosso momento histórico. Viva pepe Mujica! > Mais

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Fome de ti

26/08/2015

26ago2015

FomeDeTi-01a

FOME DE TI

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Teus olhos são duas amoras
Que namoram os meus
E os seios, fartos cachos
Acho que anseio colher
Ah, eu sou todo saliva
Nascida da fome de te ter

E o desejo escorre pela boca
A polpa do lábio carmim
E a língua, cereja que surge
E se insurge e se lambe assim

Homem não chora
Mas quem não chora não come
Vem que esse desejo tem nome
É fome de ti
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Ricardo Kelmer 2005 – blogdokelmer.com

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> Mais poemas e músicas

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As Preciosas do Kelmer – jul2015

31/07/2015

31jul2015

AsPreciosasDoKelmer201507

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Dicas e pitacos para o mês
#34, jul2015
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Capa do mês: Marion Zimmer Bradley (1930-1999), escritora estadunidense, autora da série As Brumas de Avalon

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*** A FEMINISTA, A PROSTITUTA E A MULHER LIVRE

“A pior ofensa para uma mulher é ter uma vida sexual, e uma vida sexual ativa, mudar de parceiros. Esse é o estigma da puta. Não tem a ver com cobrar por sexo. Tem a ver com regular o sexo das mulheres. Nós vigiamos a sexualidade uma da outra, nós mesmas reprimimos. Não entendo como nos convenceram disso”.

Quem diz isso é Monique Prada, uma feminista famosa por seu ativismo nas redes sociais. Monique é prostituta, mora em Porto Alegre e tem se destacado por mobilizar discussões públicas sobre a questão da prostituição, chamando a atenção para a importância da regulamentação do trabalho sexual, como prevê o Projeto de Lei (PL) Gabriela Leite, de Jean Wyllys (PSOL-RJ), que deverá ser votado em breve.

Monique tem razão. As mulheres, elas próprias, reprimem a sexualidade feminina. A liberdade sexual de uma mulher ainda amedronta a muitos homens, é verdade, mas incomoda a maioria das outras mulheres. Por quê? Será inveja? Será medo de ser trocada por uma mulher “mais fácil”? Ou será que é porque suas mães, suas próprias mães, as ensinaram a, desde criancinhas, temer e apedrejar as mulheres livres? Se a culpa é da educação, isso automaticamente não absolveria os homens, pelo menos em certa medida, que também são ensinados pelos pais a serem machistas? > Mais

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*** UMA FAÍSCA PARA TUDO PEGAR FOGO

O recente caso do grotesco adesivo da presidenta Dilma Rousseff de pernas abertas, sendo penetrada pela bomba de gasolina, nos revela algumas coisas sobre as quais vale a pena pensar:

1- Nas redes sociais, a maior parte das pessoas posicionou-se publicamente contra o adesivo, até mesmo as que não gostam do PT ou de Dilma. Isso mostra que, independente de ideologias políticas, ainda há pessoas EQUILIBRADAS o bastante para saber diferenciar o protesto legítimo e coerente do fanatismo político.

2- Muitas pessoas, inclusive mulheres e alguns sites, como o Mercado Livre, aplaudiram e até ajudaram a vender e espalhar o criminoso adesivo. Isso mostra que muitas pessoas, se for para atingir o PT, são capazes de QUALQUER COISA.

3- Muitas pessoas não apoiaram o adesivo, mas ficaram caladas (mesmo sendo mulheres, mães e avós, como Dilma), pois não gostam do PT. Isso mostra que há muitas pessoas que preferem ser CONIVENTES com as lamentáveis e crescentes atitudes de ódio político no país. A propósito, infelizmente ainda não vi líderes da oposição e veículos da grande mídia condenarem o adesivo, ao contrário do que aconteceu com a jornalista Maria Júlia Coutinho, da Rede Globo, que sofreu violência racista.

4- Se o presidente fosse homem, teriam feito um adesivo no mesmo modelo, mostrando um presidente da República de quatro, a receber uma bomba de gasolina? Certamente não. Fizeram isso com Dilma porque ELA É MULHER. É um triste caso de misoginia e que banaliza a violência sexual. Isso mostra muito sobre o que a direita fanática brasileira pensa sobre a mulher.

5- O ódio dos fanáticos antipetistas se manifesta em atitudes fascistas e cada vez mais violentas, como no caso do estudante brasileiro (admirador de Jair Bolsonaro), nos Estados Unidos, que driblou a segurança da comitiva e ameaçou a presidenta Dilma gritando: “Terrorista! Vai cair, hein! Terrorista que rouba a população tem mais é que ser morto. Comunista de merda!”. Ainda que o PT tenha suas culpas e ainda que o governo seja péssimo, isso não justifica ataques e ofensas pessoais. Manifestações de ódio como essas devem ser imediatamente combatidas, pois são um perigo para a LEGALIDADE DEMOCRÁTICA, e sabemos que é assim que começam muitos golpes de Estado. Sim, o massacre político faz parte do jogo na democracia, mas este caso do adesivo é um crime, e ele nos mostra claramente que, se é necessário protestar sempre que nossos políticos cometerem erros, é igualmente necessário manter o equilíbrio nos momentos de crise. Porque é justamente nesses momentos que basta uma faísca para provocar um terrível acidente. Um acidente que beneficia tão somente a quem quer ver tudo pegar fogo. > Mais

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***  MARION ZIMMER BRADLEY

Nossa homenageada do mês nasceu em Albany, capital do estado de Nova Iorque, em 1930. No auge da grande depressão econômica, seus pais eram muito pobres e não puderam lhe oferecer uma educação esmerada. Começou a trabalhar cedo, como garçonete e faxineira. Ao completar 16 anos, ganhou uma máquina de escrever da mãe e começou a escrever histórias. No início, para sobreviver, sujeitou-se a produzir uma série de romances sensacionalistas.

Nos anos 1950 era aquilo a que se chama uma “escritora de sucesso fácil”, vendia histórias de sexo e de mistério a revistas de grande tiragem, para sustentar marido e filhos. Por essa altura juntou-se ao grupo de ativistas lésbicas Daughters of Bilitis, considerada a primeira organização de direitos lésbicos dos Estados Unidos. Nos anos 1960 dedicou-se à produção de romances góticos.

As suas histórias de ficção científica do ciclo Darkover (um planeta onde os seres humanos, ao contato com os alienígenas, adquirem poderes extrapsíquicos) continuam a ter numerosos admiradores. Nos anos 1980, com a série As Brumas de Avalon, Marion tornou-se uma escritora de prestígio e uma das mais lidas no mundo inteiro. Prosseguiu no romance histórico de fantasia com O Incêndio de Troia, onde reescreve a guerra de Troia de uma perspectiva feminista. Com A Casa da Floresta (1983), regressou ao universo mítico da Bretanha druídica, desta vez em confronto com o Império Romano. Em 1985 lançou um livro especialmente destinado ao público infantil (A Filha da Noite, baseado na ópera A Flauta Mágica, de Mozart), mas muitos o consideraram uma obra adulta, e possivelmente imprópria para crianças: Deixou mais de meia centena de livros.

Marion Zimmer Bradley foi casada duas vezes e teve dois filhos. Morava em Berkeley, na Califórnia. Muito de sua notoriedade também se deve ao apoio que deu à comunidade de ficção científica americana. Morreu em 1999. (fonte: Wikipedia) > Mais

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*** LÁGRIMAS NA CHUVA

É uma espécie de ritual. Quando anoitece, faço uma pausa no trabalho, ponho para tocar a trilha sonora do filme Blade Runner (Caçador de Androides) e preparo um chazinho de hortelã. Vou tomá-lo sentado no banco de madeira, à janela, observando a paisagem cinzamente caótica de São Paulo. Enquanto bebo o chá quentinho, as canções se sucedem, misturando-se ao som da cidade lá fora e emprestando sua suave beleza melancólica ao movimento das ruas lotadas, todos apressados, um bando de autômatos correndo de um lado para outro…

Mas para mim tudo está em câmera lenta. Talvez porque nesse momento eu sou Rick Deckhard no alto daquele prédio, salvo da morte pelo replicante Roy Batty, totalmente rendido diante do grande mistério que é estar vivo e não saber até quando.

Acho que as pessoas correm tanto porque não sabem se amanhã estarão vivas. Mas será que correr tanto assim não faz apenas acelerar a paisagem que passa, deixando para o presente um mero cantinho desprezado, quase imperceptível, entre o que já foi e o que talvez não virá? Correndo tanto assim e vivendo no modo automático, em que momento essas pessoas poderão lembrar que estão vivas? E quando finalmente chegarem ao lugar para onde tanto correm, estarão em paz com as lembranças da vida que viveram? Do alto do prédio, em sua resignada lucidez de quem está morrendo, o replicante Roy tem mais uma pergunta: De que valerá tanta pressa se no fim a vida se perdeu no tempo como lágrimas na chuva?

Penso nisso enquanto tomo o último gole do chá. E renovo minha falta de fé no roteiro que criamos para esta nossa época frenética de humanos autômatos. Corram por mim, amigos, que eu prefiro curtir a paisagem do agora. Até a derradeira faixa do disco.

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*** VOLTE OUTRO DIA, BEIBE

Era 1965 e os Rolling Stones faziam uma turnê pelos Estados Unidos. Keith Richards acordou no meio da noite possuído por uma ideia musical. Ele ligou o gravador, gravou uns acordes e voltou a dormir. Depois ele e Mick Jagger finalizaram a música, inspirados pela frustração de estarem confinados em seus quartos de hotel e não poderem tocar. A música foi batizada de Satisfaction e rapidamente virou um grande sucesso no mundo inteiro, tornando-se uma das canções mais emblemáticas da história. Ainda hoje, 50 anos depois, ela é bastante executada, e mesmo quem não gosta nem conhece rock muito provavelmente reconhecerá aqueles três acordes básicos, o riff, que iniciam a música e voltam a cada retomada do refrão.

Além do riff, a letra também encontrou imediata receptividade entre o público jovem. Talvez essa não tenha sido a principal motivação para os versos, mas eles soam perfeitamente como contestação à cultura de consumo, que persegue insistentemente o personagem no rádio e na TV. Na estrofe final, a frustração do personagem e a fala da garota (volte semana que vem, pois tô numa fase difícil) deslocam o foco para o terreno sexual, e aí a “satisfação” ganha novos significados, ampliando os horizontes interpretativos e seduzindo de vez os ouvintes jovens, que naqueles dias viviam a revolução sexual dos anos 1960. Some-se a isso tudo o jeitinho de Jagger de cantá-la e… buuummmm!!!, a música explodiu.

No início, várias rádios se recusaram a tocá-la por seu suposto apelo sexual. Mas não havia como deter a onda. E hoje, 50 anos depois, Satisfaction parece não ter envelhecido nadinha, pelo contrário, pois a cultura do consumismo se intensificou a níveis impensáveis. Hoje, buscamos sedentos a satisfação nas novidades que a cada dia surgem nos anúncios publicitários, mas quando as alcançamos, a novidade seguinte já nos acena à frente, para nossa frustração.

O consumismo do nosso tempo é uma garota linda e sorridente a nos seduzir o tempo todo com maravilhosas promessas de satisfação. Mas que repete sempre: volte outro dia, beibe, volte outro dia… > Mais

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*** RELIGIÃO E POLÍTICA JUNTOS: PERIGO SEMPRE

Eu nada tenho contra religioso. Mas tenho tudo contra o fanatismo religioso e as mentiras e enganações da religião, e a interferência da religião no Estado laico. E parece que o padre Marcelo Rossi concorda comigo. Veja o que ele falou em 2014, a respeito da mistura de política com religião:

“Eu sou totalmente contra, seja padre ou pastor. Está errado. Ou você é um líder religioso, ou você é um líder político. Pode colocar minhas palavras: ´Nunca vote em nenhuma pessoa religiosa´. A Igreja Católica viveu isso, a união de Estado, política e religião. Foi a pior fase. Pode ver que a Igreja Católica é a única que não tem candidato. Ela pode até dizer que gosta, mas nunca indica. Eu tenho medo. A pior coisa é fanático. Fuja dessas pessoas, que são as mais perigosas e as que se corrompem mais facilmente.”

Aplausos, aplausos. > Mais

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***  EROTISMO SEGUE EM ALTA

Na relação atualizada dos livros mais vendidos de 2015, categoria ficção, do Publishnews, a série 50 Tons de Cinza, da inglesa E.L. James, continua fazendo bonito. Os três livros da trilogia estão entre os 10 primeiros lugares. E na relação há mais um erótico, o “Somente sua”, da série erótica Crossfire, de Sylvia Day.

As mulheres compõem a esmagadora maioria dos leitores das duas séries. Como a série de E.L. James foi lançada no Brasil em 2012, já se vão três anos de sucesso, com presença constante nos mais vendidos. Ô maravirilha! Bom demais saber que as mulheres começam a assumir publicamente que também apreciam uma sacanagem. Bem, a qualidade literária desses livros é outro papo, mas é sempre bom ver a literatura erótica fazendo sucesso. > Mais

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*** AH, ESSES DEUSES MACHÕES…

Nas tirinhas de humor de Carlos Ruas, os deuses de diversas religiões do planeta enchem a cara na taberna. E, como todo bebedor machão, não perdem uma oportunidade de enaltecer sua sagrada virilidade…

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*** RELAÇÕES POLIAFETIVAS: A FUTURA POLÊMICA

Até pouco tempo atrás, boa parte das sociedades ocidentais entendia que a mulher era propriedade do homem. Ainda hoje, muitos acreditam que a homossexualidade é uma doença ou obra do Diabo. O racismo, que antes era algo considerado normal e aceitável, hoje é crime. O casamento entre pessoas do mesmo sexo é o tema polêmico da vez, e a tendência aponta para uma crescente aceitação da sociedade. Isso mostra que os valores morais e éticos de uma sociedade são mutantes.

E no futuro, que temas polêmicos ocuparão as discussões? Um forte candidato surge no horizonte: a poliafetividade. Esse conceito defende que as relações não monogâmicas consensuais também devem ser legitimadas pela sociedade, tanto quanto as monogâmicas. Isso nos leva, naturalmente, a discutir a questão da definição de casamento, ampliando seu conceito para a união de duas OU MAIS pessoas.

Se, de fato, nós podemos gostar ou amar a mais de uma pessoa ao mesmo tempo, por que então somos obrigados a namorar ou casar com apenas uma pessoa? Por que seria imoral ou errada uma relação em que os participantes concordam em não serem exclusivos um do outro? Por que as mentiras e as traições das relações fechadas são geralmente mais aceitas que a franqueza dos que preferem relações abertas? > Mais

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*** OS NINGUÉNS DE GERALDO ALCKMIN

É verdade que a chuva abaixo da média contribuiu para a crise hídrica do estado de São Paulo. Mas a culpa maior é da própria Sabesp, que durante anos falhou na administração dos recursos naturais e financeiros. E esse papo de que ninguém ficou sem água em São Paulo não cola. Os bares, restaurantes e teatros da Praça Roosevelt, no centro, por exemplo, há meses convivem com a falta dágua diária. > Mais

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*** O EXEMPLO DE MALALA

“Hoje, no meu primeiro dia como adulta, em nome das crianças do mundo, eu peço aos líderes que devemos investir em livros ao invés de balas.”

Quem falou isso foi Malala Yousafzai, a paquistanesa que ganhou o Prêmio Nobel da Paz devido ao seu trabalho em pró do direito à educação para meninas. Ela vive na Inglaterra desde 2012, quando recebeu cuidados médicos após ser baleada na cabeça por militantes talibãs. Sua história será contada num documentário que deve estrear em outubro deste ano.

Putz. Se ainda precisamos lutar tanto assim para que mulheres tenham o direito de estudar, então temos poucos motivos para nos orgulhar de sermos humanos. Apesar disso, ou justamente por isso, o exemplo de Malala é inspirador. Parabéns, Malala. > Mais

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*** DAR OU NÃO DAR NA PRIMEIRA NOITE

elarua11Ainda hoje, século 21, às portas do Armagedom, tem mulher que se atormenta com esse dilema. Transar logo ou se fazer de difícil? Para muitas mulheres, a lógica ainda é aquela: se a gente transar logo, ele vai perder o interesse. Lógica estranha…

Mas vamos considerar as possibilidades. Se o cara perdeu o interesse após o sexo, certamente é porque ele não gostou, afinal quem gosta, quer de novo. Ou então, se ele é desses que perde imediatamente o interesse por mulheres que dão na primeira noite, nesse caso a mulher não tem nenhum motivo para se chatear, pois livrou-se de um babaca.

Tem mulher que jura que mantém o cara preso a ela enquanto o sexo tá difícil. Lógica doida… Prender alguém não me parece algo bom de se fazer, não importa em nome de quê. > Mais

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*** ATEUS SAINDO DO ARMÁRIO (16)

BETINHO – sociólogo

Herbert José de Sousa, conhecido como Betinho (1935-1997) foi um sociólogo e ativista dos direitos humanos. Concebeu e dedicou-se ao projeto Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida.

O jovem Betinho foi católico praticante, de comunhão diária. Alguns de seus amigos eram sacerdotes. Teve professores jesuítas. Ele fazia parte da ala mais à esquerda da Igreja. Foi da Juventude Estudantil Católica, onde começou a sua militância política. Depois, atuou na Juventude Universitária Católica, na Universidade Federal de Minas. Participou da criação da AP (Ação Popular), da qual foi o primeiro coordenador. Aos 27 anos de idade, tornou-se ateu.

Em 1986 Betinho descobriu ter contraído o vírus da AIDS em uma das transfusões de sangue a que era obrigado a se submeter periodicamente devido à hemofilia. Em sua vida pública esse fato repercutiu na criação de movimentos de defesa dos direitos dos portadores do vírus. Junto com outros membros da sociedade civil, fundou e presidiu até a sua morte a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS. Dois dos seus irmãos, o cartunista Henfil e o músico Chico Mário, morreram em 1988 por consequência da mesma doença. Mesmo assim, não deixou de ser ativo até o fim de sua vida, dizendo que a sua condição de soropositivo o forçava a “comemorar a vida todas as manhãs”.

Betinho morreu em 1997, já bastante debilitado pela AIDS. Deixou dois filhos: Daniel, filho do seu primeiro casamento com Irles Carvalho, e Henrique, filho do segundo casamento com Maria Nakano, com quem viveu por 27 anos. Duas décadas após sua morte, a imagem de Betinho mantém-se no imaginário da população com uma aura positiva, de quem dedicou a vida a lutar pelos direitos básicos do cidadão. > Mais

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*** A CONTINÊNCIA NO PAN É, SIM, UM GESTO POLÍTICO

Nesta edição dos Jogos Pan-Americanos, em Toronto, Canadá, alguns atletas brasileiros, ao subirem ao pódio, fizeram o gesto militar de continência. Todos eles eram patrocinados pelas Forças Armadas. Isso provocou discussão.

O Comitê Olímpico Internacional não permite manifestações políticas, religiosas ou raciais, sejam elas organizadas ou espontâneas. E também não permite publicidade comercial. A continência dos atletas pode ser interpretada tanto como manifestação política como publicidade para seu patrocinador. Por isso, foi criticada. > Mais

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*** PORTUNHOL QUER SER RECONHECIDO COMO DIALETO

Portunhol (ou portuñol) é uma palavra que designa a interlíngua, ou língua de confluência, originada a partir da mistura de palavras da língua portuguesa e da espanhola. Ocorre sobretudo em cidades de fronteira entre países de língua portuguesa e espanhola.

Devido à semelhança entre a língua portuguesa e a espanhola derivada do fato de possuírem como língua materna o latim, é muito comum as pessoas que dominam uma dessas línguas sentirem-se confortáveis para falar a outra imaginando que basta trocar uma palavra de português para a sua correspondente em espanhol ou vice-versa, sem levar em conta a gramática e a concordância.

Com o intercâmbio cultural cada vez mais crescente promovido pelas viagens e pelas facilidades tecnológicas, falantes do português e do espanhol cada vez mais se arriscam na outra língua. Talvez, num futuro não tão distante, as duas línguas estejam tão misturadas que o portunhol acabe sendo considerado a segunda língua oficial de vários países da América do Sul.

Um grupo de intelectuais quer que a Unesco declare o dialeto Patrimônio Imaterial. Olhaí o portunhol botando as asinhas de fora… > Mais

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***  GREGÓRIO DUVIVIER SOFRE PEGADINHA E FICA PELADO

Gregório Duvivier é um exemplo de multitalento. Escritor, roteirista, ator e humorista, ele é um dos criadores do Porta dos Fundos, grupo que produz esquetes de humor na internet com grande sucesso de público. Gregório é um crítico contundente dos excessos da religião no Estado laico. Confira sua entrevista para a revista Serafina. > Mais

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